
Aveiro, 20 de junho de 2026
A recente alteração da identidade visual da Câmara Municipal de Aveiro não é apenas uma questão estética. É uma decisão institucional, estratégica e cultural. Uma marca pública não é um adereço de mandato, nem uma assinatura pessoal de quem ocupa temporariamente o poder. É património simbólico, memória coletiva e instrumento de comunicação com a sociedade.
A Iniciativa Liberal não questiona que uma identidade visual possa evoluir. As cidades mudam, os suportes digitais evoluem e a comunicação pública deve adaptar-se. Mas uma coisa é modernizar com método, diagnóstico, transparência e participação; outra é mudar por impulso político ou necessidade de marcar território.
É precisamente aqui que reside o erro de Luís Souto.
Ao longo dos últimos anos, Aveiro construiu uma linguagem visual própria, presente na comunicação institucional, nos equipamentos municipais, na cultura, na frota, nos eventos e no espaço público. Essa presença criou coerência, reconhecimento e continuidade. Em vez de melhorar esse trabalho, Luís Souto decidiu romper com ele, apresentando uma marca que especialistas têm apontado como um passo atrás na identidade do município. Onde se esperava inovação, houve conservadorismo; onde se esperava modernidade, houve recuo; onde se esperava estratégia, houve gesto político.
Aveiro não é propriedade de um executivo. Não pode mudar de identidade sempre que muda o Presidente da Câmara. A imagem da cidade deve representar a sua história, as suas instituições, as suas comunidades e a sua ambição de futuro, não a vontade de uma liderança em deixar marca.
É inevitável recordar o que aconteceu a nível nacional no final do Governo do Partido Socialista de António Costa. Também aí se alterou a imagem institucional do Estado; também aí houve polémica; e também aí, mal chegou ao Governo, Luís Montenegro recuou para a imagem anterior. O que criticámos então devemos criticar agora: as instituições não podem ser tratadas como extensões gráficas de ciclos partidários.
Aveiro tinha já uma marca instalada, reconhecível e funcional. Essa continuidade criou memória visual e notoriedade, elementos essenciais em comunicação pública, onde o reconhecimento se constrói pela coerência e pelo tempo.
Não se coloca esse trabalho de parte sem explicar porquê. Uma alteração desta natureza deveria partir de um diagnóstico claro sobre as limitações da identidade anterior e de um processo participado, envolvendo competências técnicas, agentes da cidade e instituições relevantes, da Universidade de Aveiro ao comércio local, do setor cultural ao turismo, das associações aos cidadãos.
Uma marca pública, porque é paga por todos e usada por todos, deve prestar contas a todos. Alterar uma identidade visual implica custos em plataformas digitais, sinalética, frota, documentos, templates, materiais promocionais e comunicação externa, consumindo tempo dos serviços e recursos públicos. Mesmo realizada internamente e com implementação gradual, há custos que exigem justificação clara.
Luís Souto, que poderia ter afirmado uma visão moderna para Aveiro, escolheu antes um gesto de conservadorismo gráfico e institucional. Uma cidade inovadora não gere a sua imagem por decisão fechada nem desfaz trabalho anterior apenas para assinalar uma mudança de poder.
A Iniciativa Liberal defende uma Câmara moderna, transparente, competente e responsável: que decide com dados, ouve a cidade, respeita o trabalho feito, presta contas e usa bem o dinheiro dos contribuintes. Modernidade não é impor uma imagem por decisão de gabinete; é fazer melhor, com método, participação, rigor e responsabilidade.
Aveiro não precisa de decisões de gabinete para afirmar identidade. Precisa de diferenciação e modernidade.
Iniciativa Liberal - A diferença que Aveiro precisa